You are viewing shangrilaead

Previous Entry | Next Entry

Tendinite calcificante do ombro


Tendinite calcificante do ombro

© Equipe Editorial Bibliomed

Neste Artigo:

- Introdução
- Manifestações Clínicas
- Exames Complementares
- Abordagem Terapêutica
- Conclusão
- Referências Bibliográficas

A tendinite calcificante do ombro (TCO) é caracterizada pela presença de depósitos macroscópicos de hidroxiapatita nos tendões da cápsula rotatória. O distúrbio foi descrito pela primeira vez por Painter, em 1907. Atualmente, estima-se que a TCO afete 3-20% da população entre 30-50 anos de idade.

Introdução

O diagnóstico de tendinite calcificante do ombro (TCO) é feito a partir de exames de imagem ou pela inspeção direta do tendão afetado, podendo ser um achado incidental em um ombro assintomático, ou a própria causa da dor no ombro. Entretanto, deve-se ter em mente que os depósitos cálcicos são encontrados em 3-20% dos ombros assintomáticos e em apenas 7% dos ombros dolorosos.

O tendão supra-espinhoso é o local mais comumente afetado, mas freqüentemente mais de um tendão é envolvido. As mulheres são um pouco mais acometidas que os homens, e o ombro direito é acometido com mais freqüência que o ombro esquerdo.

A fisiopatologia da TCO é controversa e sua verdadeira etiologia permanece um mistério.

Manifestações Clínicas

Como mencionado anteriormente, a TCO é um distúrbio morfológico, podendo ser descoberta acidentalmente durante um exame de imagem, sem estar diretamente associada a qualquer sintoma.

Quando sintomática, a doença pode se apresentar nas seguintes formas:

• Quadro crônico com crises intermitentes leves.
• Sintomas mecânicos decorrentes de grandes depósitos cálcicos, que podem impedir a elevação do ombro.
• Dor aguda mais severa atribuída à resposta inflamatória na fase de reabsorção.

Na maioria dos casos, a dor se irradia no ombro até o ponto de inserção do deltóide e, menos freqüentemente, para o pescoço. O desconforto costuma ser agravado pela elevação do braço acima do nível do ombro ou no decúbito lateral sobre o lado afetado. Rigidez, crepitações, fisgada ou fraqueza no ombro também podem ser relatados.

Exames Complementares

Não são necessários exames laboratoriais para selar diagnóstico. As radiografias simples podem demonstrar depósitos cálcicos, que devem ser classificados de acordo com sua localização e tamanho. Os sintomas em geral ocorrem quando as calcificações são maiores que 1,5 cm.

Dois tipos de depósitos podem ser identificados: um depósito homogêneo localizado, com limites bem definidos (mais relacionado às fases de formação ou repouso do processo), e um depósito heterogêneo amorfo, de limites mal definidos (este, mais relacionado à fase aguda sintomática ou de reabsorção).

A tomografia computadorizada e a ressonância nuclear magnética (RNM) podem ser empregadas para melhor detalhar as lesões. A RNM não é imprescindível para detectar a TCO, mas possui uma acurácia de 95% para o distúrbio.

A ultra-sonografia depende bastante das habilidades do operador e da interpretação do radiologista. Em mãos experientes, a ultra-sonografia é mais sensível que a radiografia simples, com a vantagem de não expor o paciente à radiação.

Abordagem Terapêutica

O tratamento varia de acordo com a fase clínico-radiológica da calcificação. Na fase de reabsorção, a dor pode ser severa e a necessidade de alívio, urgente.

A técnica de punção (com quebra dos depósitos cálcicos), lavagem e aspiração do local tende a ser a medida com maior chance de sucesso nesta etapa da doença. Alguns autores chegam a relatar desaparecimento ou redução das calcificações em até 74% dos pacientes após 1 ano de tratamento.

Uma alternativa à punção-lavagem-aspiração, é simplesmente injetar anestésicos no local, reduzindo o desconforto. Todavia, infiltrações com corticóides são controversas.

A terapia por ondas de choque extracorpóreas pode ser indicada para eliminar os depósitos de cálcio, aliviando a dor mais rapidamente e reduzindo o risco de lacerações na cápsula rotatória.

A administração de antiinflamatórios não-esteróides costuma ser útil, mas sua eficácia no tratamento da TCO ainda não foi estabelecida em estudos clínicos apropriados.

A fisioterapia pode ser prescrita para manter a força muscular e a amplitude de movimentos do ombro.

Dependendo da intensidade dos sintomas e do volume dos depósitos cálcicos, pode-se recomendar cirurgia aberta ou artroscópica. O maior problema na artroscopia é a dificuldade em localizar os depósitos, o que pode ser contornado localizando as lesões através de ultra-sonografia no pré-operatório e marcando o local a ser tratado com uma agulha. Na maioria das técnicas descritas, o procedimento consiste basicamente em excisão do depósito, debridamento dos tendões adjacentes (com reaproximação das bordas, se necessário) e uso de tipóia no braço operado por 3 dias. Mais de 90% dos pacientes operados referem melhora significativa dos sintomas, porém a doença tende a recorrer em 16-18% deles.

Conclusão

A tendinite calcificante do ombro (TCO) é um distúrbio inflamatório de causa desconhecida. O diagnóstico é feito a partir de exames de imagem ou pela inspeção direta do tendão afetado, podendo ser um achado incidental em um ombro assintomático, ou a própria causa da dor no ombro. O tratamento clínico é bem sucedido na maioria dos casos. Porém, pacientes com sintomas progressivos, refratariedade ao tratamento conservador ou comprometimento das atividades habituais, podem ser considerados para tratamento cirúrgico.

Referências Bibliográficas

1. Boyer T. Arthroscopic treatment of calcifying tendinitis of the rotator cuff. Chir Main. 2006 Nov;25S1:S29-S35.

2. Walch G, Liotard JP, Nove-Josserand L, Godeneche A. Non traumatic pathology of the shoulder: when to perform surgery? Rev Prat. 2006 Sep 30;56(14):1556-63.

3. Jacobs R, Debeer P. Calcifying tendinitis of the rotator cuff: functional outcome after arthroscopic treatment. Acta Orthop Belg. 2006 Jun;72(3):276-81.

4. Seil R, Litzenburger H, Kohn D, Rupp S. Arthroscopic treatment of chronically painful calcifying tendinitis of the supraspinatus tendon. Arthroscopy. 2006 May;22(5):521-7.

5. Sirveaux F, Gosselin O, Roche O, Turell P, Mole D. Postoperative results after arthroscopic treatment of rotator cuff calcifying tendonitis, with or without associated glenohumeral exploration. Rev Chir Orthop Reparatrice Appar Mot. 2005 Jun;91(4):295-9.

6. Moretti B, Garofalo R, Genco S, Patella V, Mouhsine E. Medium-energy shock wave therapy in the treatment of rotator cuff calcifying tendinitis. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2005 Jul;13(5):405-10.

7. Lasar Y, Azzolin J. Puncture-lavage-infiltration of calcifying tendinitis of the rotator cuff. Bull Soc Sci Med Grand Duche Luxemb. 2003;(1):17-22.

8. Krasny C, Enenkel M, Aigner N, Wlk M, Landsiedl F. Ultrasound-guided needling combined with shock-wave therapy for the treatment of calcifying tendonitis of the shoulder. J Bone Joint Surg Br. 2005 Apr;87(4):501-7.

9. Chan R, Kim DH, Millett PJ, Weissman BN. Calcifying tendinitis of the rotator cuff with cortical bone erosion. Skeletal Radiol. 2004 Oct;33(10):596-9.

10. Jiang CY, Geng XS, Wang MY, Rong GW, Flatow EL. Close needling for the treatment of calcifying tendonitis. Zhonghua Wai Ke Za Zhi. 2003 May;41(5):346-50.

11. Yokoyama M, Aono H, Takeda A, Morita K. Cimetidine for chronic calcifying tendinitis of the shoulder. Reg Anesth Pain Med. 2003 May-Jun;28(3):248-52.

12. Rubenthaler F, Ludwig J, Wiese M, Wittenberg RH. Prospective randomized surgical treatments for calcifying tendinopathy. Clin Orthop Relat Res. 2003 May;(410):278-84.

13. Ozkoc G, Akpinar S, Hersekli MA, Ozalay M, Tandogan RN. Arthroscopic treatment of rotator cuff calcifying tendonitis. Acta Orthop Traumatol Turc. 2002;36(5):413-6.

14. Wang CJ, Ko JY, Chen HS. Treatment of calcifying tendinitis of the shoulder with shock wave therapy. Clin Orthop Relat Res. 2001 Jun;(387):83-9.

15. Rupp S, Seil R, Kohn D. Tendinosis calcarea of the rotator cuff. Orthopade. 2000 Oct;29(10):852-67.

16. Crusher RH. Rotator cuff injuries. Accid Emerg Nurs. 2000 Jul;8(3):129-33.

17. Hodler J. Diagnosis of shoulder impingement syndrome. Radiologe. 1996 Dec;36(12):944-50.

Comments

Latest Month

October 2012
S M T W T F S
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031   
Powered by LiveJournal.com
Designed by Akiko Kurono